Mudanças no nosso corpo: Da lagarta, à borboleta. Da borboleta à Fénix.

nature leaves green butterfly
Photo by Ram Akella on Pexels.com

Hoje deparei-me com uma mensagem forte do Positive Birth Movement Penafiel, em que se lia o seguinte:

“What a cruel scheme to keep a women from knowing her power. To put the focus on what pregnancy did to her body, rather then focus on what her perfect body just did.(…)”

É social. Ouvimos coisas sobre isto desde sempre, mesmo ainda dentro das barrigas das nossas mães, certamente ouvimos alguém que lhes diz que o corpo delas vai ficar deformado, principalmente se amamentar, se não usar X, se não fizer Y. Que seja o que for que faça, o corpo dela já não vai recuperar.

“Já não vai recuperar”, é como dizer a uma borboleta que já não pode ser lagarta. A diferença, é que na nossa sociedade actual, as nossas asas exuberantes, as nossas marcas, o nosso crescimento, a harmonia é apontada como defeito, quando no fundo é algo incrivelmente mágico.

E ok, cada um tem a sua própria concepção sobre como se vê e como se quer ver, mas não podemos negar que a imagem de nós próprios, é sempre influenciada pelo que a sociedade “demanda”. Acredito que são poucas as mulheres que não se debatem com este tema, e tenho a certeza que muitas condicionam as suas opções exactamente por causa desta exigências sociais.

Já sabemos quanto ao julgamento por cada suspiro que damos durante a gravidez, parto e pós parto. Mas só muito recentemente se tem vindo a falar abertamente (e as redes sociais ajudam imenso neste aspecto), acerca das mudanças no nosso corpo e em como é normal. Porque até então, este tema é mais um tabu da maternidade.

A realidade de uma barriga pós-parto, muitas vezes só é conhecida pela primeira vez, quando é vivida. Muitas mulheres (e homens) nunca viram uma barriga pós-parto, até passarem por um parto. Isso acaba por ser um choque tremendo, porque o que a sociedade nos devolve acerca do pós-parto, ainda é muito cinzento e desfocado.

Durante a gravidez somos bombardeadas com soluções milagrosas para evitar as estrias e mais alguns “defeitos provocados pela gravidez”, e vendem com a promessa de que usando aquilo, o corpo manter-se-á nos padrões do aceitável. Depois aparecem os factos…nem sempre assim é, ou então resultou (e aqui vai a culpabilização porque na Maria funcionou, tu é que usaste mal o produto, ou não te esforças, és desleixada…enfim. You name it!).

É importante a conversa! É importante saber que sim, o nosso corpo pode mudar, mas também é importante passar que é ok o nosso corpo mudar! Porque ele vai mudar independentemente de engravidares ou não! Seja por envelhecimento, seja por ter perdido peso muito rápido, ganho peso muito rápido, pelo stress que nos “dá cabelos brancos”, pelas rugas de expressão, a flacidez pelo sedentarismo, seja pelo que for! O nosso corpo é magia em movimento, constantemente a regenerar-se, mas acontece que à medida que vai dando “erros”, eles se manifestam. E está tudo bem com isso!! A perfeição na natureza vive nas coisas que à partida sentimos como imperfeições (quando devíamos falar de alterações), mas depois percebemos que há uma cadeia que as justifica. Uma ligação!

É focada nessa ligação que escrevo. Na ligação de umas com as outras, das conversas francas, dos desabafos, da libertação da frustração ou quaisquer outros sentimentos que surjam pelas nossas mudanças. Temos de falar sobre isto!

Somos o portal da vida dos nossos filhos, somos parte activa no processo da criação de uma vida! Parem para pensar nesta frase: “somos parte activa no processo da criação de uma vida!”. Entendem a dimensão!? Não é genial?

O nosso corpo muda? Claro que sim! Pouco, muito…quase nada. Muda. Há quem diga que quando o bebé nasce, a própria mãe renasce, como uma fénix. Ela vai ser igual? Claro que não! E sabem que mais, aquilo que o nosso corpo mostra, não é nem a ponta do iceberg das mudanças que a maternidade nos traz.

É difícil encarar as mudanças? Pode ser. Mas de novo, as mudanças físicas são a ponta do iceberg.

Portanto, para concluir, assumo que o centro desta questão, se encontra no facto de ser vendida a “verdade” mais mentirosa da nossa sociedade: que um bebé não traz qualquer mudança na nossa vida. Que ela se mantém igual. É impossível a vida ser igual depois de irmos para a faculdade, de irmos para um trabalho novo, de mudarmos de país, de começar um relacionamento. Porquê que assumimos que um bebé não trará mudança? A mudança pode ser esmagadora, principalmente quando não temos informações verdadeiras sobre ela, ou quando a negamos. Quando a abraçamos e aceitamos, quando falamos sobre elas, quando nos apoiamos e orientamos uns aos outros, sentimos que as mudanças são parte de um processo.

Sim, agora já não sou uma lagarta. Agora tenho asas marcadas com mil e uma linhas, majestosas, delicadas no seu toque, imponentes na sua forma. Estas asas uso-as para abraçar os meus filhos, para lhes dar colo, para os proteger.

E sabem que mais? Acho que aqui no processo da maternidade, temos de arranjar um termo para uma borboleta que vira Fénix. Porquê? Porque está na altura de criar a borboleta que renasce das próprias cinzas, (do julgamento, da pressão, da luta interna que nos é empurrada goela abaixo). Porque não somos um pássaro, que sempre foi pássaro…Somos uma lagarta que se transformou numa borboleta estonteante, mas que constantemente leva com carga pesada, ao se encontrar no centro da opinião pública… Até ao dia em que chegamos ao limite, e nos transformamos em cinzas. E aí… mulheres unidas irão dar as mãos e como um bando de Fénix, renascendo livres, mais fortes e poderosas!

Ahô

phoenix

 

 

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