O renascimento da Deusa

 

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Photo by Matheus Bertelli on Pexels.com

Estamos a viver as celebrações do Yule, que na antiguidade nórdica se celebravam do solstício até perto de 12 de Janeiro.

Celebrando em comunidade, partilhando o que cada um podia dar, acendiam-se fogueiras, soavam tambores e a música elevava-se aos céus, nos jogos de sombra e luz que todos abraçavam com sorrisos abertos.

Acreditavam que o lobo da escuridão, engoliria a deusa Solar. Mas porque festejavam, então?

Porque acreditavam que a Deusa Solar era imortal, e a sua imortalidade era representada pela semente já deixada na terra. A semente da árvore da Vida; Yggdrasill que encerrava os mistérios do passado e do futuro e de todos os mundos.

Os antigos não temiam a morte, mas respeitavam-na e encaravam-na como um portal para uma nova vida. Assumiam como um caminho da imortalidade, considerando o sopro da vida uma dádiva que deveria ser honrada e, por isso, faziam os possíveis para que as suas vidas fossem eternizadas na criação do que sabiam dar ao mundo, como nas artes, ou no cuidado e pretecção das suas comunidades.

As deidades honradas, eram femininas. A energia celebrada era a da gestação. A escuridão encarada como o retorno ao ventre da Grande Mãe, onde a vida crescia com o essencial; amor, conforto, segurança, alimento para corpo e alma.

Esta noção de que nesta fase de “gestação”, todos nós temos a capacidade de nos agarrarmos à tímida semente de luz, é extremamente bonita e empoderadora.

Trabalhando os nossos objectivos, estudando os nossos caminhos, abraçando e aproveitando o tempo de sombra, construímos uma alma mais forte capaz de transformar uma luz tímida e bruxuleante, numa luz Solar forte e poderosa.

Assim, depois do lobo da escuridão ter devorado a Deusa Solar, a sua semente cresceu, dando início a um novo ciclo da vida.

Que este novo ciclo seja repleto de abundância, amor, saúde e todas as condições para resplandecerem!

Eina dottvr ————–A filha
berr Alfra/ðvll———–nascida da Deusa Solar
aþr hana Fenrir fari; — depois desta ter sido engolida pelo lobo
sv scal riða, ————– Ela irá cavalgar,
þa er regin deyia, —— (enquanto os deuses partem)
modvr bra/tir mer.—–– os velhos caminhos de sua mãe

Vafthrudnismál st.47, Poetic Edda

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