Visitar e apoiar

visitar um recém nascido

Quando sabemos que um familiar ou um amigo teve um bebé, o instinto ancestral de comunidade, faz-nos sentir uma vontade de apoiar.

A sociedade consumista de hoje, responde a este impulso com coisas. Prendas, coisas que temos mas já não precisamos, coisas, coisas, coisas e muitas coisas! Como se quanto mais coisas dessem, maior fosse a ajuda. E sim, claro que reutilizar, receber coisas que nos permitem poupar dinheiro é bom, mas será exactamente isso que uma nova família precisa?

Cada família tem a sua dinâmica, e as suas especificidades, mas nesta fase delicada é melhor evitar acrescentar trabalho. seja esse trabalho de arrumações, escolha de coisas úteis ou recordar a quem enviar uma mensagem de agradecimento.

Se pensarmos bem, o que a família efectivamente precisa, é de apoio. Esse apoio pode surgir em várias formas, mas há coisas básicas que todos nós podemos fazer sem dificuldade e que são mais baratas e úteis do que “coisas” que damos porque o nosso instinto exige uma atenção, mas dispersa para a forma material.

Apoio.

Usar um curto espaço de tempo, não demorando na visita, para verificar se há alguma coisa que possamos fazer para facilitar as coisas em casa. Ir a uma loja comprar uma coisa qualquer que entretanto precisam, mas com um recém-nascido e um filho mais velho as coisas ficam difíceis de gerir no imediato. Uma pilha de louça que não consegue ser libertada. Chão com migalhas que facilmente se resolve com uma varridela. Mudar uns lençóis bolçados. Apanhar e dobrar roupa. Deixar comida feita e fácil de comer e armazenar. Brincar com o filho mais velho, dando liberdade a um dos cuidadores para tomar um banho. Tanta coisa que no dia-a-dia parece ser tão simples como estalar os dedos, mas em modo família-em-fase-de-conhecimento-de-um-novo-elemento-exigente, é quase impossível de encaixar.

Não é que seja importante a casa estar limpa e arrumada, mas se houver um apoio pontual, a família sente mais conforto e gasta menos energia com tarefas que apesar de pequenas, consomem energia e tempo que naquele momento é difícil de encontrar.

Quando visitamos alguém que tem um bebé pequenino, primeiro que tudo temos que saber se a família está ok em receber visitas. Telefonar pode ser demasiada pressão, mas enviar uma mensagem e deixar em aberto, certamente que a família irá responder quando sentir que o momento chegou. Não que não sejam importantes para eles, mas porque é de uma intimidade tão grande, de sentimentos tão avassaladores, que cada família reage da sua forma e muitas sentem mesmo necessidade de algum afastamento social. Se calhar nem se lembram. Se calhar imaginam que visitas implicam receber pessoas, e receber pessoas implica trabalho, e esse trabalho implica desequilíbrio nas rotinas e esse desequilíbrio nas rotinas provoca o caos e o cansaço. Uff.

Descomplicar a comunicação pode ajudar.

“Amigos, sei que estão a gerir muita coisa. Estou disponível a dar uma mãozinha, levar comida ou alguma coisa que precisem, sem me demorar. Qualquer coisa que precisem, digam.”

Algo deste género vai informar os vossos amigos/familiares que não se vão demorar, não esperam cerimónias e acima de tudo, que estão disponíveis para ajudar.

Ainda dentro da comunicação; mesmo que já sejam pais, ás vezes é importante assumir que aqueles pais estão a conhecer aquele bebé, e há coisas que de facto ainda podem não saber, mas vão descobrir.Se não for pedida nenhuma opinião, evitem partilhar nesses momentos. Todos temos as nossas perspectivas, e nem todas são coincidentes. Manter o ambiente agradável, sem julgamentos ou opiniões. Há alguma coisa que sentes que talvez a família pudesse gostar de saber? É importante ter tacto, perceber se gostavam de saber sobre esse tema, mas sem tom depreciativo pelo que estão a fazer.

Se houver um filho mais velho nessa família, a gestão das emoções será certamente uma preocupação, pelo que é importante dar primeiro atenção à criança mais velha, aguardando que a mesma fale sobre o bebé. São momentos de grande transformação para estes manos mais velhos, e é importante também para eles, saberem que mantém o lugar que sempre tiveram nos vossos corações.

Como estão tão disponíveis a ajudar, tenho a certeza que são bons amigos e vão fazer das visitas-relâmpago-de-apoio, uns minutos leves e divertidos para os vossos amigos que agradecem o vosso apoio. As melhores prendas, são aquelas que não precisam de embrulho.

Aos bons amigos!

 

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