Um pano com mil histórias

yaro outonoEspreitamos pela janela da maternidade e vimos que um mundo de coisas se abre.

Coisas novas, que desaprendemos, mas guardam histórias de milhares de vidas que agora reencontramos.

Nos tempos antigos, o pano era algo muito sério. Era dado às crianças que menstruavam pela primeira vez, sabendo elas que aquele pano iria carregar as suas vidas, e quem sabe, as dos seus filhos.

Essa oferta, até poderia ser um pano de uma avó, mãe ou outra mulher que iria passar um testemunho importante que lhes iria imprimir uma noção de empoderamento.

Aquele pano teria sustentado as suas cólicas menstruais, teria suportado o seu ventre que carregava os seus filhos. Era o apoio durante os desconfortos na gravidez, durante o trabalho de parto como um apoio para aliviar as contracções.

Carregava os seus filhos junto ao peito, enquanto se alimentavam ou caminhavam ou simplesmente aninhavam no mimo do calor humano. Aquele pano talvez tenha sido usado para colocar as crias a dormir, como uma cama de rede. Pode ter sido usado para transportar coisas, para ajudar a corrigir a postura cansada. Poderá ter carregado sobrinhos, netos, outras crianças acolhidas naquele calor.

Poderá ter aquecido nas noites mais frias à lareira, enquanto contavam histórias encantadas, de mil terras mágicas e seres fantásticos.

O pano, podia ser a diferença entre a vida e a morte, quando havia ameaças de predadores/invasões. Consta que as mulheres que carregavam os seus filhos nos panos, tinham mais facilidade em fugir com as crias.

O pano era sagrado.

Um porto seguro, uma teia de histórias, amor, emoções fortes. O que permitia continuar a vida activa, mantendo um vínculo muito especial.

O pano era sinónimo de força, de empoderamento!

Da mulher/mãe/deusa que faz acontecer, é capaz, cuida e nutre a sua cria.

O pano é sinónimo de sororidade.

De mulheres fortes, que passam a mensagem de poder a outras mulheres, através do pano que mostra que as tramas unidas como as do tecido, suportam!

Portanto, as mulheres de antigamente tinham uma noção de sororidade imbuídas nos seus espíritos. A herança era a força e união! O pano era aquele totem material que transportava histórias de vida e a inspiração de mulheres capazes.

Hoje, temos panos de várias cores, padrões, materiais e cada vez mais vemos mamãs e papás, avós e avôs a carregar os seus bebés junto ao coração.

Depois de tanto tempo ignorando a facilidade de um pedaço tão simples de tecido, mas tão forte na sua história e utilidade, acredito que em gerações voltaremos a ter a tradição do pano nas nossas vidas.

Podemos ser criativas quanto à utilidade do pano e adaptá-lo à nossa realidade contemporânea, mas absorvendo a sabedoria de tantos anos da sua utilização. Os cenários são diferentes, as vidas são diferentes, mas a essência é a mesma. Promover o vínculo, facilitar o quotidiano, simplificar e dar utilidade para além de um propósito único.

Panos cheios de histórias, a passear por gerações. Mesmo que o material ceda, as histórias nele serão transportadas para outro, e outro, e outro. Sempre e para sempre, as histórias de vida,de aventuras, de amor, tecidas num pano e nos nossos espíritos.

pano historias

 

O pano pode parecer um investimento, mas acompanha-te em muitos momentos! Se gostavas de saber mais sobre panos/babywearing no geral, contacta-me. Podemos marcar uma sessão. 

 

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s